Inácio Botto — História e turismo

História viva de Juiz de Fora: Inácio Botto une pesquisa, redes e tours para reativar memórias.
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@inaciobotto

Lide: Turismólogo e pesquisador, Inácio Botto transformou o olhar atento para o passado em ponte com o presente: das redes às ruas, ele reativa memórias e apresenta — com fontes e método — histórias e curiosidades de Juiz de Fora.


Do olhar curioso à escolha do Turismo

Natural de Bicas (MG), Inácio cresceu cercado de estímulos que o levariam à história: a mãe, colecionadora de relógios, xícaras e canecas; e a madrinha, que o levava com o irmão a museus no Rio de Janeiro. Em 2015, mudou-se para Juiz de Fora para cursar Turismo.

Logo no início da graduação, estranhou a frase repetida por muitos: “em Juiz de Fora não tem nada para fazer”. Na contramão, mergulhou nas monitorias e projetos de extensão, frequentou arquivos, concluiu o curso de guia de turismo e passou a contar histórias da cidade a visitantes.

Pesquisa que vira livro

Com a pandemia afetando o setor, seguiu para o mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), pesquisando a história do turismo em Juiz de Fora (1900–1930). O recorte revelou, entre outros pontos, a influência do Rio de Janeiro, a rede de hotéis, apresentações musicais e os espaços de diversão da época — lembrando que se tratava de uma camada específica da sociedade.

Da pesquisa nasceu o livro “História e turismo: Um olhar sobre a cidade de Juiz de Fora – MG (1900–1930)”.

A virada digital

Aquilo que descobria nos arquivos e nas ruas foi parar nas redes: dicas de leitura, visitas e comparativos entre fotos antigas e atuais. No início de 2025, um vídeo viralizou: a história da Cervejaria Hofbauer, que funciona na Igreja da Glória há 130 anos — “a única da América do Sul que funciona em uma igreja”, apresenta.

A partir daí, Inácio intensificou as publicações, reativando memórias e divulgando curiosidades com base em fontes.

Das redes para as ruas

Os passeios que guiava para turistas foram adaptados aos moradores. Com a amiga Pâmela, criou “Entre prédios e histórias — O centro conta sua história”. Em seis meses, mais de 1.000 pessoas participaram. O boca a boca cresceu e o que mais se ouve é: “sempre passei aqui e não tinha reparado”.

Comentários como “sou daqui e não sabia” se multiplicam no Instagram e no TikTok. A troca virou parte essencial do trabalho: netos mostram os vídeos aos avós, chegam indicações de livros e memórias reaparecem.

Influência com propósito

Inácio se vê como “influencer” da educação — não a formal, mas a que desperta o olhar do morador e do visitante para a cidade. Trabalha no Parque Municipal, atualmente no Museu Mariano Procópio, e sente o reflexo na rua: professores levam os posts para a sala de aula; cursos de arquitetura usam os conteúdos como referência.

Um dos vídeos de maior alcance nasceu de uma visita ao Hotel São Luiz. Sem planejar, ele mostrou o espaço, o vídeo viralizou e o fluxo de visitantes aumentou. “A virada de chave foi ligar turismo à história: pesquisa, busca por fontes e divulgação.”

Desafios e seriedade

As redes também trouxeram haters. No vídeo sobre o Palacete Santa Mafalda, a chamada dizia que o local fechou “por culpa de Dom Pedro II”. Quem viu até o fim entendeu a narrativa; quem parou no início, não. Hoje, Inácio lê e ri dos comentários.

O ápice até aqui foi um post em collab com o Museu Nacional, reforçando a seriedade do trabalho. Outro ponto recorrente é o reconhecimento da profissão: turismólogo não é regulamentado. Ele observa cópias de conteúdo e alerta que passeios guiados exigem credencial do Ministério do Turismo — tema que também vira educação no perfil.

Por que olhar para a cidade

Valorizar a história local muda a relação com o lugar onde se vive. Juiz de Fora guarda achados como: a escola de paraquedismo mais tradicional do Brasil; painéis de Cândido Portinari visíveis na rua; e uma roda de carro no alto de um prédio, lembrança da primeira concessionária Chevrolet da cidade.

O que vem por aí

Nos planos, um novo livro que pode chegar em 2026 e a ampliação do recorte geográfico: explorar bairros, Zona Norte, Zona Oeste e outras regiões ainda pouco mapeadas nas publicações.


“Me considero um ‘influencer’ da educação para despertar o olhar do morador e do visitante sobre as histórias da cidade.”

“Comecei a comparar imagens antigas com fotos atuais e reativar memórias nas pessoas.”


Para guardar: pesquisa séria, conteúdo com fontes, passeios guiados e um convite permanente: redescobrir Juiz de Fora.

Leia a matéria completa: https://revistaon.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Revista-On-40-Digital.pdf

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