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Especialização é essencial para quem faz administração, dizem professores
Perfil generalista do curso exige que alunos experimentem áreas de atuação durante a formação.
Publicada em 06/06/2017, 16h01

o topo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) por ter o maior número de inscrições, o curso de administração tem justamente em seu caráter generalista um dos grandes atrativos para os estudantes.

Mas as dúvidas sobre o futuro profissional podem justamente aumentar na cabeça dos alunos porque o curso transita em diversas áreas de conhecimento. Para conhecer melhor as possibilidades de atuação, professores elegem o estágio durante a faculdade e a especialização depois de formado como itens essenciais na formação dos futuros administradores.

Para quem já se formou, existem diversos tipos de curso de especialização. As mais comuns são a pós-graduação lato sensu, como MBA, que confere um certificado, não um diploma. Em outro caminho temos o mestrado acadêmico, para quem desejar seguir a carreira como professor e/ou pesquisador.

Outra opção mais recente e em expansão no Brasil é o mestrado profissional, voltado para discutir mais profundamente a teoria para atuação profissional ou docente. Os dois tipos de mestrado servem como degrau para o doutorado.

 

Estágio

 

Para Graziela Comini, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), o estágio é uma fase de experimentação. “Mesmo estagiando em uma área específica de uma empresa, o jovem convive com colegas de outros setores e percebe o que quer”, diz.

 

"Mesmo estagiando em uma área específica de uma empresa, o jovem convive com colegas de outros setores e percebe o que quer"

 

É importante esclarecer que, pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso, estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC), os estudantes precisam cumprir o mínimo de 300 horas de estágio, organizadas de acordo com as normas definidas pela instituição de ensino. O período do curso em que o aluno deve começar as atividades, por exemplo, é estabelecido pela universidade.

No Insper, faculdade particular em São Paulo, os graduandos só podem realizar trabalhos externos a partir do sétimo semestre, no último ano do curso. “Pensamos que o aluno deve ter uma experiência sólida dentro da universidade, tanto com conhecimentos básicos (sociologia, economia, psicologia) como com currículos específicos (marketing e gestão de pessoas, por exemplo)”, explica Guilherme Martins, coordenador de administração.

 

“Mas não posso deixar o aluno sem vivência nenhuma até lá, então incentivamos que ele participe das organizações estudantis dentro da universidade, como empresa júnior, atlética ou diretório acadêmico”, completa.

É claro que a realidade de cada aluno é diferente – é possível que, além de fazer o estágio para o aprendizado da profissão, o jovem também busque uma fonte de renda. E, por isso, comece a buscar vagas logo no início da graduação, mesmo antes de ter aprendido o conteúdo necessário na faculdade.

O coordenador Guilherme relata que uma queixa comum dos estudantes – principalmente dos que começam a estagiar nos primeiros anos - é que eles tenham de desempenhar atividades apenas operacionais. Mesmo assim, de acordo com ele, é preciso aproveitar a oportunidade para mostrar talento e dedicação.

“O jogador de um time pequeno não pode fazer gol contra se quiser jogar um dia em time grande. Precisa chamar atenção desde o início e entender que está sendo avaliado”, afirma. “O estágio é uma oportunidade de interagir com lideranças da organização. Claro que pode ter escopo de atuação reduzido, mas um gestor pode o aluno para outra área futuramente”, diz.

 

"O estágio é uma oportunidade de interagir com lideranças da organização. Claro que pode ter escopo de atuação reduzido, mas um gestor pode o aluno para outra área futuramente"

 

 

Prática de conhecimentos

 

Guilherme Martins define o estágio como uma forma de conhecer a empresa por dentro e saber como funciona a governança e a cultura organizacional, por exemplo. Além disso, é um modo de vivenciar os conceitos aprendidos na instituição de ensino.

“Administração é um curso classificado como ciência social aplicada, ou seja, requer aplicação. Não consigo formar um administrador por inteiro só em sala de aula”, diz o coordenador do Insper.

Outra vantagem de fazer estágio é descobrir as dúvidas que não necessariamente apareceram durante as explicações do professor. Nesses casos, é interessante que o aluno procure a faculdade como forma de sanar suas dificuldades. “É na prática que se percebe o que precisa estudar mais”, afirma Guilherme.

 

O que os alunos dizem

 

Graziella Comini conta que costuma notar em seus alunos uma angústia ao terem de escolher uma área de atuação. “Antes era crise dos 40 anos, agora é dos 23. Os jovens procuram um trabalho que faça sentido para eles”, conta.

Os alunos reforçam que é vital fazer o estágio para entender melhor as áreas da administração e ganhar experiência. De acordo com os estudantes, os cursos tendem a abarcar pouco conteúdo prático nas aulas – a forma de compensar é entrando no mercado de trabalho.

“Todos os meus colegas passam a focar muito mais no estágio do que na faculdade. Os professores querem ajudar, mas as universidades precisam se modernizar e olhar para a prática também”, opina Stefan Spengler, aluno da PUC-SP.

 

“Todos os meus colegas passam a focar muito mais no estágio do que na faculdade."

 

Bárbara Gatto, de 21 anos, está no último ano do curso e reforça que há outro elemento importante para o estágio: ele pode ajudar o estudante a conhecer todas as áreas da empresa. “A pessoa precisa conhecer todas as partes, de marketing e RH, por exemplo. Não recomendo se guiar só pelo curso, porque é muito abrangente e não costuma ter matérias muito específicas”, diz.

 

Fonte: G1

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